O Grupo Bensaude é um caso ímpar
na história económica portuguesa.

Como é possível?

É um Grupo de natureza empresarial botânica. São como uma planta que, enquanto cresce, se vai fortificando, adaptando organicamente ao ambiente, contornando os obstáculos, à procura do seu espaço e do sol.

De origem marroquina, influência britânica e coração português dos Açores, geografias muito marcadas pelas viagens marítimas, os Bensaude fizeram do oceano o seu caminho, o seu sustento, a sua escola de vida, as suas vidas.

E ao fazê-lo, deixaram que o mar os fosse levando cada vez mais alto.

Acompanhe as 7 épocas de transformação do Grupo Bensaude

Esta é a história de um Grupo que conseguiu algo absolutamente invulgar na economia portuguesa: manter-se ativo e próspero, ao longo de dois séculos, especializando-se em vários mercados radicalmente diferentes – energia, turismo, marítima e logística, distribuição, transportes, banca, seguros, tabaco, álcool, entre outros.

"Este livro é dedicado a todos os Bensaude. Não apenas àqueles que são descendentes dos primeiros membros da família a pisarem o solo açoriano e que têm a palavra Bensaude no nome. Estamos a pensar nas dezenas de milhares de homens e mulheres que, não sendo Bensaude no apelido, o foram no coração e na alma, ao longo destes duzentos longos anos; e em todos aqueles que todos os dias deixam a sua marca nas suas empresas.”
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1820 - 1860

Um novo mundo

Quando o século XIX ainda dava os primeiros passos, um jovem judeu chamado Abraham começou a pensar seriamente em fugir de Marrocos.

Esta é uma história algo comum a todos os jovens judeus espalhados pelo mundo, desde que em 733 a.C. parte da população de Israel se viu obrigada a deixar a "terra-prometida” e partir para o exílio – a diáspora – na altura por imposição dos Assírios, o primeiro de uma vasta coleção de invasores estrangeiros.
A cidade marroquina de Rabat de onde partiram os Assiboni – fotografia do século XIX - 1 de 3
O que faz falta?

Uma economia açoriana periférica, marcada por falta de identidade regional e cultura empresarial, que tenta tirar partido de uma economia atlântica em crescimento acelerado. Foi nesta paisagem comercial que Abraão, Salomão e Elias deixaram a sua marca. Arregaçaram as mangas, lançaram as sementes, cruzaram os mares, trilharam as ilhas e colheram alguns louros.

Estabeleceram as bases: estabelecimento de transporte marítimo de pessoas e mercadorias, aquisição de navios, criação de rotas comerciais entre ilhas açorianas, projetos comerciais em mais de uma ilha, recurso a instrumentos de crédito inovadores, intervenção em mercados diferentes, rede de contactos internacionais, parceria com firmas britânicas, reinvestimento dos lucros na atividade comercial, negócios com membros da família.
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1861 - 1922

O grande salto

As ilhas valorizam-se como plataformas de apoio à navegação e ganha peso a sua importância estratégica no Atlântico Norte.
Abraão Nathan com a sogra, mulher e primos: (adultos, a partir da esquerda) Henrique, Helena; Cecília, Abraão Nathan, Emília, Walter e Rachel. - 1 de 5
Para a economia açoriana continuar a evoluir, faltava ganhar escala.

Foi este tabuleiro e estes dados que foram passados à segunda geração Bensaude. Ficar a marcar passo ou assumir os riscos e ganhar escala: controlo da cadeia económica, incentivo à criação de portos insulares modernos e bons serviços portuários, estabelecimento de transportes marítimos fiáveis e regulares, aposta na industrialização (tabaco, açúcar, álcool), lançamento de novos negócios em setores estratégicos (banca, logística, energia, pesca do bacalhau), expansão para o continente e mudança da sede para Lisboa, continuação de associação a companhias britânicas, parcerias com outros grandes grupos nacionais, investimento em projetos internacionais com elevado potencial de dividendos, tudo culminado numa…única Casa Bensaude.
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1923 - 1939

O Primeiro herdeiro

À frente da maior parte do património Bensaude, acumulado ao longo de 100 anos, fica um único homem, Vasco Bensaude. Era filho de Joaquim (neto de Abraão) e de Cecília (filha de Elias). Tornar-se-á, assim, no herdeiro de uma das maiores fortunas portuguesas.
Vasco Bensaude ao leme dos negócios Bensaude. - 1 de 4
Ficar à frente de um projeto empresarial, laboriosamente construído ao longo de cem anos, nunca é tarefa fácil: manter um conglomerado económico gigante, num país marcado por um regime político de autoritarismo crescente, que procura estabilizar uma economia nacional, debilitada por dezenas de governos republicanos.

A responsabilidade social era, para Vasco Bensaude, um sentimento e um valor. Vasco Bensaude não dava esmolas, oferecia trabalho. A responsabilidade de ser o maior empregador da ilha de São Miguel levou-o algumas vezes a inventar formas de ocupar os seus trabalhadores para não ter de os despedir.

Será Vasco Bensaude que irá marcar a economia dos Açores e do país, durante quase meio século:
Homem do Renascimento, viajado, culto, metódico, tinha uma enorme paixão pelo mar e… chegou a ser o garante do Estado Português.
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1940 - 1967

Braços de ferro

Vasco e Lilly Bensaude recebem o rei Umberto de Itália (centro) na Fábrica de Tabaco Micaelense. - 1 de 3
Vasco Bensaude era um empreendedor, mas não era um empresário nato. Percebeu logo que o seu grupo empresarial era demasiado grande e complexo para que as grandes decisões fossem tomadas só por si, até porque na altura era muito novo. Percebeu também que, para ampliar os negócios do Grupo e fazer estender os seus braços, precisava de um braço-direito. Um primeiro-ministro dotado de vontade férrea capaz de sonhar e implementar.

Esta necessidade deu origem a um processo de recrutamento e a uma escolha que haveria de marcar a sua gestão até ao fim dos seus dias.
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1968 - 1999

Outono em abril

Os quatro irmãos em São Miguel: (a partir da esquerda) em cima, Filipe e Antoinette; em baixo, Beatrice e Patricia – 1967. - 1 de 4
Passagem de testemunho dolorosa.

A umas gerações muito é dado. A outras muito é pedido. A Vasco Bensaude muito foi dado. Herdou um consórcio florescente por via dos avós paternos e maternos, do pai e dos tios. Ao seu filho, Filipe Bensaude, muito será pedido. Filipe assume o controlo de um grupo ainda grande e intacto, mas verá o seu poder económico diminuir dramaticamente nos anos 1970 por efeito do curso da História, sem que pudesse fazer nada para o evitar.

Reerguer o Grupo (quase) das cinzas, depois de um programa de nacionalizações, que expropria o Grupo de várias empresas, num contexto de recuperação da economia portuguesa e de adesão à Comunidade Económica Europeia.

Como? Mudança da sede para os Açores. Filhos convocados para trabalhar na empresa. Apoio da família. Recrutamento de quadros de renome. Política de contenção máxima de custos. Investimento em negócios core (transporte marítimo, logística, energia). Aposta no turismo. Aposta em serviços.

A frase que marcaria o percurso de Filipe Bensaude fora definida por Alfredo Bensaude ao sintetizar a vida do seu pai, no livro "Vida de José Bensaude":

"sacrificar o prazer ao dever é uma prática da virtude que é preciso adquirir como hábito desde a infância”.
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2000 - 2008

O regresso do sol

Luis Bensaude – 2006 - 1 de 4
Luis Bensaude foi o líder que todos os líderes aspiram a ser: inspirado, determinado, consensual.

Filho de Filipe Bensaude. Aceite por toda a família. Empresário. Visionário. Carismático. Popular. Admirado pelos colaboradores. Sem pruridos em falar com qualquer um deles. Trabalhador. Dotado de um olhar muito expressivo. Respeitado pelos outros empresários nacionais, que viam nele um dos seu pares. Com a idade certa – tinha 40 anos quando se torna o líder de facto do Grupo.

Quis devolver ao Grupo a dimensão de grande grupo económico nos Açores, perdida com as nacionalizações e tirar partido do amadurecimento da economia portuguesa.

A conquista de parte do capital da EDA foi uma das boas vitórias de Luis Bensaude, mas o seu momento de glória da gestão chega com a aquisição do seu grande concorrente açoriano: o Grupo Nicolau Sousa Lima.
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2000-2020

Em nome do futuro

Parque de combustíveis Terparque construído com respeito pelo ecossistema local; na foto, bando de Marrecas-d`asa-azul oriundas da América do Norte. - 1 de 4
Consolidação dos negócios, alteração da estrutura acionista e promoção de uma cultura corporativa comum, depois da saída de líder carismático, da aquisição do maior grupo concorrente e da queda de parceiro financeiro, num país em recuperação progressiva de uma crise económica.

Como?

União familiar. Alteração de modelo de governo. Profissionalização da empresa em toda a linha. Eleição de CEO não pertencente à família. Manter investimento em turismo, distribuição, marítima e logística, energia e serviços. Dinamizar e acompanhar desenvolvimentos na área das tecnologias de informação e segurança. Investimento em marca corporativa.